Domingo, Novembro 22, 2009

Miscelânes 21


- O homem do rabo mecânico

- James Bond e a realidade: parte 1

- A ninfomania não é emergência para 112, caro senhor...

- Hipopótamos pigmeus na Austrália

- As bactérias no combate às minhas anti-pessoais


-Sempre soube que o amor e a inveja andavam de mãos dadas...


- Mitos acerca deste infame 2012... arrasados

- O fenómeno das ladeiras magnéticas. Há uma em Braga!


- Pássaros enlutados

-O fenómeno das pedras rolantes no Death Valley, EUA

- Uma foca leopardo vira ao contrário as nossas percepções acerca de predadores sem sentimentos


- O regresso de Michael Jackson!

Sábado, Novembro 21, 2009

Espirros colados com muco


A tosse é o novo preto, e não coloco isto como uma afirmação estética. É uma declaração de ostracização. De cada vez que estou no meio de um aglomerado de gente e decido tossir (ou melhor, decide a minha boca por mim), sou olhado de lado como se fosse um afro-americano a passear-se pela Georgia ou Alabama nos inícios do século passado. A diferença é que não anda aí nenhum grupo de indivíduos encapuçados a querer o meu sangue: eles hoje usam fatos hazmat e não andam tão disseminados pelas avenidas.
Tenho uma simples constipação. É uma coisa que me dá todos os anos durante o Inverno e já a espero resignado, antecipando espirros que me deslocam a retina, ranho suficiente para encher os diques holandeses e uma espécie de deserto do Atacama que se instala pela minha garganta abaixo. Pensei que estávamos todos habituados a ela. Infelizmente, esta gripe A veio alterar o paradigma (quem pensava que este blog se andava a afastar da intelectualidade rejubila, pois o uso da palavra paradigma em textos eleva-os automaticamente ao nível ensaístico superior). Tossidor é como se fosse um leproso e cria à sua volta uma certa área de segurança, o que não dispiciendo quando nos encontramos em elevadores e detestamos contacto corporal desnecessário.
A minha constipação já me é desgradável, a última coisa de que precisava era deste estigma que se tem de carregar apenas porque o nosso nariz está tão atulhado que cria o reflexo de fungar. Já me basta com a constipação arrede grande parte da minha coerência interna; não necessito que me arruine a externa também. E porque é que estão a ler esta encasinação toda? Por causa dela mesma, da maldita fungadora espirradora.
Hum... talvez a designação de epidemia não seja tão exagerada assim então...

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

40 anos


A minha infância agradece profundamente.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

"Fight club"


Um tipo com a mania das importâncias como eu tem obrigatoriamente o dia em que calhou nascer. 9 de Novembro tem de tudo: eleições históricas, atribuições de prémios Nobel, golpes de estado decisivos, assinaturas de armistícios e, o mais conhecido, quedas de muros que durante décadas separaram a capital de um determinado país do centro da Europa.
Há uma década, uma outra efemérida juntou-se a esta lista: estreou em Portugal um filme que concentrava em si a angst do fim de século, um certo mal-estar entre pessoas com a idade a rodear os trinta anos, e que se viria a tirnar o filme definitivo de culto para o século seguinte. Lembro-me de ter ido mais um amigo meu vê-lo, cm celebração do meu aniversário. Atraiu-me porque gostava do realizador e o trailer pareceu-me enérgico e divertido. Quando saí daquela sala, estava transfigurado. O filme batera-me com determinada força e soube aí, de certeza, que iria estar a falar de "Fight club" durante muito tempo.
Revi-o na semana passada e fiquei espantado pelo facto de o seu poder anárquico não ter desaparecido. De facto, continua a manter a sua subversão dez anos depois, mostrando que o mundo não mudou tanto assim e que certas coisas na natureza humana se mantiveram inalteradas: o materialismo, um certo desenraízamento e uma falta de tomates para mudar as coisas. Outra das suas forças continua também, que é a incapacidade que temos de categorizá-lo. É um thriller? É um filme de luta? É uma comédia? O que defende afinal? Valores de esquerda? Valores de direita? E será que defende alguma coisa? De qualquer forma, consegue ser um paradoxo interessante: um anúnio de publicidade muitíssimo bem feito, estilizado, acerca do materialismo.
As razões que o levaram a transformar-se num filme de culto definitivo também esperam teorização. "Fight club" foi inicialmente um fracasso comercial; quando os executivos da FOX, o estúdio que o produziu, viram o produto final, começaram a perguntar-se como teria sido possível terem dado luz verde a uma obra tão transgressora. Raramente se terãolido críticas tão revoltadas a um filme, principalmente do ponto de vista moral. Nem Michael Bay, que faz pornografia artística, terá alguma vez tido tal reacção. O filme estreou na pior altura possível, poucas semanas depois do tiroteio no liceu de Columbine, e falava a uma geração de alienados, que viam outros como eles a embarcar alegremenete em actos que podem ser considerados terroristas. No entanto, teve uma fortíssima recepção em DVD, vendendo seis milhões de cópias, e entou na cultura popular. A frase "The first rule fo Fight Club is you do not talk about Fight Club" é facilmente citável, entre outras tiradas do filme ("I'm Jack raging bile duct"; "You're not your fucking kakhis!"); o estilo de moda de Tyler Durden, ícone stylish encarnado por Brad Pitt, com o seu casaco de cabedal vermelho e as suas camisas havaianas, inspirou estilistas e o cidadão comum; e a proliferação de mitos urbanos acerca de clubes de combate reais garantiu a sua imortalidade. Para além disso, segundo Chuck Palahniuk, o autor do livro que dá origem ao filme, é o filme de namoro perfeito. Fincher descobriu que, estranhamente, são as mulheres jovens que mais atingem o sentido de humor do filme, talvez por este girar em torno da postura macho da criatura masculina.
Um enorme filme, e isso é o que interessa, para lá de todas as teorias e relevâncias socio-políticas. Fincher no topo das suas faculdade, Pitt e Norton com uma química imparável e um final que dispensa qualquer epíteto de tão emblemático: em 11/9/2001, eu recordei-me disto. Não pode ter sido por acaso.


P.S: Tim Burton pode ser o marido e rei do estranho, mas ninguém utilizou tão bem a bizarria inerente a Bonham-Carter como David Fincher o fez neste filme

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Miscelâneas 20


- Árvores a actuar como incendiários

- Na Polónia, hóstia transforma-se em coração humano... or so they say

- O pior disfarce de sempre usado num assalto

- Mulher engole 78 peças de cozinha

- Demasiado gordo para ser considerado culpado

- Mulher fractura coluna ao espirrar

- Uma sessão espírita no Twitter

- Cientologia condenada por fraude em França

- Pedra misteriosa encontrada junto a uma igreja templária na Escócia: Dan Brown rejubila com possibilidade de novo livro

- Tubarão branco de mais de dez metros é quase partido em metade por uma criatura desconhecida

Sábado, Outubro 31, 2009

O etíope de Celas 1


Porque estou a comer que nem um desalmado neste restaurante? Primeiro, porque não sou eu pagar; em segundo, porque na semana passada, em plena reunião de condóminos no meu prédio, soou-me estranha a quantidade de casacos que estavam a depositar na minha cabeça. Quando inquiri os presentes acerca do facto, susto e horror encontraram as minhas interrogações, pois nas palavras emotivas de Anacleto Parlímpio, nunca em toda a história ouvira um cabide falar, tirando uma conversa fantasmagórica com o espírito do seu falecido irmão, onde trocaram receitas e massas e o defunto lhe aconselhou excelenteslocais onde se pode estacionar na Baixa sem ser multado.
Tive obviamente de provar que era um ser humano de pleno direito e quase falhei, quando escolhi como comprovativo entoar "Magníficos dias atlânticos", dos Ban, em folclore transmontano, o que lançou rumores que era afinal um papagaio. No entanto, um médico presente analisou-me e sossegou a plateia, embora inicialmente estivesse convencido de que eu podia ser uma cómoda Luís XVI.
Porque fui confundido com um cabide? No caso da senhora Argamindo, cuja idade não sei, mas ainda se lembra de uma altura em que Salazar era parecido com Diogo Morgado, isso deve-se a uma miopia equivalente à do Mr. Magoo; no caso dos restantes, a minha magreza sub-saariana. Os gordos queixam-se de serem maltratados e gozados pelo seu físico, mas gostava de perguntar quantos deles foram declarados propriedade de Desporto Escolar enquanto crianças e utilizadospara bater recordes nacionais do lançamento da vara. Possuo este mal enquanto criança e tem sido difícil conviver com ele. Ninguém sabe se é genético ou culpa minha, mas o facto é que o meu tio moldavo fizera uma carreira bem-sucedida como papel de parede. Os meus pais nunca me negaram amor e carinho, e a minha mãe achava o meu estado particulamente extraordinário, principalmente porque tínhamos sempre falta de paus de espetada em casa. Mais: os gordos fazem choradinho, mas toda a gente tem na memória uma figura cheia com qualquer qualidade redentoras. O gordo bonacheirao, por exemplo. O gordo generoso, por exemplo. Os magros são sempre magros e por serem tão finos, condenados a escapar pelas frinchas da nossa memória. E no mundo da moda, se uma modelo tiver mais peso, é porque anda a comer muito; se for esquelética, tem uma doença nervosa. O gordo é associado a nações poderosas, como os Estados Unidos; o magro é geograficamente recambiado para o Sudão ou para a Etiópia. É uma enorme cruz a carregar ser magrela e ao contrário dos gordos, não temos massa corporal suficiente para carregá-la.

Programas de televisão deprimentes


"Kellyfamilyfornication"

"Cheers, aquela taberna prestes a ser fechada pela ASAE"

"Favela sésamo"

"ALF - Assassino Limitado com Facas"

Any suggestions?

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Pois não era não!